quarta-feira, 20 de outubro de 2010


Ali Akbar Salehi


Irã diz ter aumentado estoque de urânio enriquecido

O Irã anunciou na quarta-feira um aumento no seu estoque de urânio enriquecido a 20 por cento de pureza, apesar das tentativas das potências ocidentais de atraírem Teerã para negociações que resultem no fim dessa prática.  A União Europeia sugeriu na semana passada que as negociações envolvendo o Irã e seis grandes potências, abandonadas há um ano, sejam retomadas numa sessão de três dias em meados de novembro em Viena.  O Irã recebeu bem a proposta, mas disse que gostaria de saber a natureza exata das discussões antes de aderir.  Os Estados Unidos e seus aliados suspeitam que o Irã use o processo de enriquecimento de urânio para desenvolver secretamente armas nucleares. Teerã alega que seu uso está voltado para fins científicos e de geração de energia civil.  O diretor da Organização da Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, disse à agência estudantil de notícias Isna que não foi informado oficialmente da proposta da UE, e que o processo de enriquecimento continua. "Até agora, quase 30 quilos de combustível a 20 por cento já foram produzidos", disse. "(A UE) não nos informou uma data oficial (para as reuniões). Foi só um anúncio à imprensa."  No mês passado, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) disse que o Irã havia produzido 22 quilos de urânio a 20 por cento.  O Irã enriquece urânio a 20 por cento desde fevereiro - antes obtinha apenas 3,5 por cento de pureza. O governo diz que incrementou o processo para usar o material num reator de pesquisas médicas. Para a produção de armas nucleares, é necessário enriquecer urânio a mais de 90 por cento.  A reunião de Viena deve retomar a proposta, feita originalmente há um ano, de trocar urânio baixamente enriquecido por combustível para o reator de pesquisas, evitando assim que o Irã se aproxime de níveis perigosos no processo de enriquecimento.  O subsecretário do Conselho Nacional Supremo de Segurança, Abolfazl Zohrevan, disse na segunda-feira que as negociações poderiam começar "já amanhã", desde que a pauta fique clara.  O Irã se diz disposto a aceitar o intercâmbio de material nuclear, mas insiste no seu direito a ter um programa nuclear pacífico, inclusive com enriquecimento de material físsil.  Os Estados Unidos lideram uma campanha global contra o programa nuclear iraniano, inclusive obtendo na Organização das Nações Unidas (ONU), em junho, a aprovação de uma quarta rodada de sanções contra Teerã.

Fonte: O Globo e Agência Reuters -  Reportagem de Robin Pomeroy

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